Agentes de IA para compras ganham confiança dos consumidores globais
Uma pesquisa da Accenture revela que os agentes de IA para compras já são vistos com mais confiança do que amigos próximos por uma parcela expressiva dos consumidores. No levantamento Consumer Pulse Research 2026, que ouviu 25.590 pessoas em 16 países, 74% dos participantes afirmaram que confiariam mais em um agente de inteligência artificial do que em seu melhor amigo para realizar uma compra em seu nome.
Esses agentes não são simples chatbots. Trata-se de softwares capazes de agir em nome do usuário dentro de permissões pré-definidas — comprando, negociando preços, resolvendo reclamações, gerenciando assinaturas e, em alguns casos, concluindo transações de forma autônoma.
O que os consumidores estão dispostos a delegar
O estudo identificou que 74% dos consumidores aceitariam que um agente de IA cuidasse de tarefas rotineiras, como renovação de assinaturas, recompra de produtos habituais, negociação de ofertas e resolução de problemas com fornecedores.
Isso não significa, porém, que eles estão prontos para abrir mão de todas as decisões. A Accenture interpretou os dados como uma abertura seletiva: as pessoas são mais receptivas a delegar tarefas repetitivas, que consomem tempo e apresentam baixo risco financeiro ou emocional.
Outro dado relevante: 32% dos respondentes aceitariam que o agente tomasse a decisão de compra dentro de limites definidos pelo próprio usuário, como teto de orçamento e preferências de marca. Nesse modelo, o agente escolheria a melhor opção disponível, mas o consumidor ainda revisaria e aprovaria o pagamento antes da conclusão.
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Autonomia total ainda é minoria
Apenas 9% dos consumidores ouvidos pela Accenture aceitariam que um agente iniciasse e concluísse uma compra sem qualquer aprovação final. No momento do pagamento especificamente, esse número sobe levemente para 12%, mas ainda representa uma parcela pequena.
A disposição em ceder mais controle está condicionada a fatores como:
- Salvaguardas de dados claras e confiáveis
- Permissões configuráveis pelo próprio usuário
- Opção de cancelamento imediato a qualquer momento
- Reputação da plataforma e percepção de neutralidade do agente
- Mecanismos de recurso em caso de problemas
Serviços recorrentes foram os que registraram maior aceitação à delegação. Já compras ligadas a estilo de vida e viagens mostraram queda acentuada à medida que o nível de autonomia aumentava. A Accenture observou que consumidores tendem a manter o controle sobre escolhas vinculadas à identidade ou ao prazer pessoal — alguém pode delegar a reposição do estoque de alimentos, mas ainda quer escolher o quarto de hotel ou a peça de roupa.
O impacto para marcas e varejistas
Se os agentes passam a intermediar as decisões de compra, as marcas precisam garantir que suas informações sejam legíveis por máquinas. Preços, disponibilidade, políticas de troca e atributos de produto precisam estar estruturados de forma que os sistemas de IA consigam avaliar e comparar opções com precisão.
A pesquisa mostrou que 56% dos consumidores indicariam ao agente quais marcas considerar. Entre os consumidores com lealdade comportamental declarada, 37% permitiriam que o agente trocasse de marca caso encontrasse uma opção melhor, levando em conta critérios como preço, disponibilidade e desempenho no atendimento.
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Outros números chamam atenção para o escopo que esses agentes podem alcançar:
- 61% querem um agente capaz de comparar produtos em múltiplos supermercados
- 71% desejam um agente que planeje e reserve uma viagem completa, incluindo passagens, hotéis e atividades
- 71% esperam que a IA generativa influencie pelo menos metade de seus gastos nos próximos 12 meses
A Accenture aponta que marcas e varejistas poderão atuar de formas distintas nesse novo cenário: algumas desenvolverão seus próprios agentes, enquanto outras integrarão dados de estoque, preço e serviço às plataformas que os consumidores já utilizam. Informações verificadas e dados de entrega confiáveis surgem como diferenciais competitivos nesse ambiente.
IA como aliada do “eu idealizado”
Um aspecto inusitado do estudo é que 63% dos consumidores querem que os agentes comprem em nome do seu “eu idealizado” — por exemplo, ajudando a fazer escolhas mais saudáveis ou a respeitar o orçamento planejado. Entre os usuários ativos de IA generativa, 26% afirmaram já ter comprado um item mais caro porque a IA aumentou sua confiança na decisão, e o mesmo percentual disse que a tecnologia os levou a aumentar o valor total do carrinho.
Lojas físicas não ficam de fora
O estudo também investigou como os consumidores enxergam o futuro das lojas físicas nesse contexto. Expressivos 87% acreditam que a IA vai transformar o papel das lojas, e 31% acham que os pontos de venda se tornarão mais relevantes como espaços de experiência e entretenimento.
Para saber mais sobre as tendências de IA no varejo e no comportamento do consumidor, o relatório completo da Accenture está disponível no site oficial da empresa.
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O quadro geral desenhado pela pesquisa é de uma adoção seletiva e progressiva: os consumidores delegam o que é rotineiro e de baixo risco, mas preservam o protagonismo nas decisões que envolvem preferência pessoal, valor emocional ou gastos mais significativos.
Perguntas frequentes
O que é um agente de IA para compras?
Um agente de IA para compras é um software capaz de agir em nome do consumidor dentro de permissões definidas por ele. Pode pesquisar produtos, comparar preços, negociar ofertas, renovar assinaturas e, em alguns casos, concluir compras de forma autônoma.
Segundo a Accenture, qual percentual de consumidores confia em agentes de IA para compras?
De acordo com o Consumer Pulse Research 2026 da Accenture, 74% dos consumidores confiariam mais em um agente de IA do que em seu melhor amigo para realizar uma compra em seu nome. O estudo ouviu 25.590 pessoas em 16 países.
Os consumidores aceitam que agentes de IA concluam compras sem aprovação?
Ainda não em grande escala. Apenas 9% dos consumidores pesquisados pela Accenture aceitariam que um agente iniciasse e concluísse uma compra sem aprovação final. A maioria prefere revisar a decisão antes do pagamento.
Como as marcas devem se adaptar ao uso de agentes de IA pelos consumidores?
As marcas precisam garantir que suas informações — preços, disponibilidade, políticas e atributos de produto — estejam estruturadas de forma legível por sistemas de IA. Dados verificados, estoque claro e histórico de entrega confiável se tornam diferenciais na avaliação feita pelos agentes.
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