Os celulares vão ficar ainda mais caros nos próximos meses, e quem espera por promoções agressivas na Black Friday pode se decepcionar. O alerta vem de Carl Pei, CEO e cofundador da Nothing, que revelou os bastidores da crise de componentes que está forçando marcas do mundo inteiro a reajustar seus preços.
O vilão por trás da alta: a memória RAM
O principal motivo para o encarecimento dos smartphones é a escassez de memória RAM. A demanda explosiva do setor de inteligência artificial está consumindo grande parte da produção global desse componente, o que reduziu a oferta disponível para o mercado de dispositivos móveis e fez os preços dispararem.
O impacto foi tão severo que a RAM passou a ser o componente mais caro dentro de um celular, superando peças como a tela e o processador — uma inversão que até pouco tempo atrás seria difícil de imaginar.
O caso do Nothing Phone (4a) ilustra a crise
Para deixar o cenário mais concreto, Carl Pei usou o próprio Nothing Phone (4a) como exemplo. O aparelho, um intermediário com foco em custo-benefício que já foi homologado para venda no Brasil, foi pensado e planejado em um contexto de custos bem diferentes dos atuais.
Segundo o executivo, entre a fase de planejamento do dispositivo e o momento em que ele chegou às lojas, o custo da memória RAM já havia dobrado. Mas o pior ainda estava por vir: desde o lançamento oficial, o preço do componente dobrou mais uma vez.
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O resultado é que o custo da RAM quadruplicou no total e hoje representa mais de 50% de todo o gasto com o hardware do Phone (4a). Um número que, sozinho, explica por que os fabricantes não têm como absorver esse impacto sem repassá-lo ao consumidor.
Black Friday 2025 com descontos mais modestos
Muitos consumidores costumam adiar a troca de celular para aproveitar as promoções de fim de ano. Carl Pei, no entanto, faz um alerta direto: a estratégia pode não funcionar tão bem desta vez.
O custo de fabricação está subindo em um ritmo que as varejistas dificilmente conseguirão compensar com descontos agressivos. Na prática, as margens para promoções encolheram junto com a alta dos componentes.
“A temporada de promoções deste ano não terá os descontos que as pessoas estão acostumadas”, declarou Pei.
Alta visível nos lançamentos internacionais
Os efeitos dessa pressão nos custos já aparecem nos preços dos novos aparelhos. Desde fevereiro de 2026, lançamentos com Android têm chegado ao varejo internacional custando até US$ 100 a mais do que os modelos equivalentes da geração anterior — o que representa, em conversão direta, cerca de R$ 500 a mais para o consumidor.
Nem mesmo o Google escapou dessa realidade. Vazamentos de especificações do futuro Pixel 11 indicam que a empresa precisou rever a quantidade de RAM oferecida no aparelho justamente para tentar equilibrar os custos de produção. Marcas com alto volume de vendas globais, como Xiaomi e TCL, também enfrentam margens apertadas e precisam repassar parte do impacto ao consumidor final.
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Brasil também sente a pressão
O mercado brasileiro acompanha a tendência global. A Samsung, líder de vendas no país, já havia antecipado que os eletrônicos poderiam ficar até 20% mais caros no Brasil em função dessa pressão nos custos de componentes.
Com a combinação de câmbio desfavorável, impostos de importação e a alta internacional da RAM, o cenário para os consumidores brasileiros é de reajustes contínuos nos próximos meses.
O conselho do CEO da Nothing
Diante desse panorama, Carl Pei foi direto ao ponto para quem está adiando a compra do próximo smartphone:
“Se você estava esperando para atualizar seu aparelho, a melhor hora foi ontem. A segunda melhor hora é agora.”
A frase resume bem a lógica do momento: quem esperar por preços menores pode acabar encontrando exatamente o oposto. A tendência, segundo o executivo, é de alta contínua enquanto a demanda por RAM no setor de IA seguir aquecida.
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Para acompanhar dados sobre o mercado global de semicondutores e a escassez de componentes, o relatório da IDC (International Data Corporation) oferece análises detalhadas sobre o setor.
Perguntas frequentes
Por que os celulares estão ficando mais caros em 2025?
O principal motivo é a alta no preço da memória RAM, impulsionada pela demanda do setor de inteligência artificial. O custo do componente quadruplicou em alguns casos, e ele passou a representar mais de 50% do custo de hardware de alguns smartphones, forçando as marcas a repassar o aumento ao consumidor.
A Black Friday 2025 terá bons descontos em celulares?
Segundo Carl Pei, CEO da Nothing, os descontos desta Black Friday devem ser mais modestos do que o habitual. O aumento no custo de fabricação reduz as margens das varejistas, tornando promoções agressivas em smartphones menos prováveis.
Quanto os celulares ficaram mais caros nos lançamentos recentes?
Desde fevereiro de 2026, novos smartphones com Android têm chegado ao varejo internacional custando até US$ 100 a mais do que os modelos equivalentes da geração anterior, o que equivale a cerca de R$ 500 em conversão direta.
O mercado brasileiro também será afetado pela alta dos celulares?
Sim. O Brasil acompanha a tendência global. A Samsung já sinalizou que eletrônicos poderiam ficar até 20% mais caros no país. A combinação de câmbio, impostos e a alta internacional da RAM intensifica o impacto para o consumidor brasileiro.
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